Submissões em rankings jurídicos na era da IA: Fita Métrica no Juridcast
- Marianna Goret

- 19 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Há alguns anos, os rankings jurídicos deixaram de ser vistos apenas como uma sequência de prazos, formulários e deadlines. Cada vez mais, eles passaram a ocupar um papel estratégico na construção e validação do posicionamento dos escritórios de advocacia.
Ainda assim, muitos ainda veem submissões como uma urgência pontual, quando, na prática, deveriam ser encaradas como um processo contínuo de gestão.
Essa foi uma das mensagens centrais da entrevista de Marcela Lage Ferreira, diretora da Fita Métrica, no Juridcast #268, episódio dedicado ao impacto da tecnologia (especialmente IA) no processo de submissões para diretórios como Chambers, Leaders League e The Legal 500.
Neste artigo, reunimos os principais insights da conversa, com trechos do episódio e uma leitura prática voltada a times de marketing jurídico, comunicação e business development que buscam mais estratégia, consistência e eficiência no trabalho com rankings.
Antes da submission: rankings como projeto estratégico
Logo no início, Marcela reforça que o primeiro passo para melhorar a performance em rankings jurídicos acontece antes mesmo de pensar na submission. Trata-se de responder perguntas fundamentais de negócio: onde o escritório quer chegar, quais áreas realmente sustentam sua reputação e qual papel os diretórios exercem dentro da estratégia de posicionamento.
Outro ponto importante é que rankings jurídicos não constroem reputação do zero; eles validam uma reputação que já existe. Ou seja, quando o escritório ainda não respondeu internamente quais áreas são prioritárias, quais sócios e equipes devem ser projetados e por quê, a submissão tende a se tornar genérica, inflada ou desalinhada com a realidade do negócio.
Esse olhar estratégico é o que transforma a submission em uma consequência natural de um trabalho contínuo de gestão, e não em um esforço emergencial que se repete, com desgaste, a cada novo ciclo de pesquisa.
Quais tarefas podem ser antecipadas?
Durante o episódio, a Marcela defende que grande parte do trabalho pode ser preparado com antecedência.
“Eu diria que 90% é possível antecipar.” Afirma. Segundo Marcela, entram nessa preparação:
Descrição institucional da prática (contexto, especialidades, setores, equipe);
Diferenciais competitivos por área (evitar texto técnico/genérico);
Indicadores e “big numbers” acompanhados ao longo do ano;
Lista de referências (referees) já organizada e trabalhada periodicamente;
Calendário e checkpoints (responsáveis, revisões, governança);
Como resultado, a submission vira um “pente fino”, ao invés de um mutirão de última hora.
Narrativa: o elemento invisível que fortalece a submission
Tratar diretórios como uma “tarefa operacional” normalmente leva a processos reativos: correria de última hora, coleta desorganizada de informações, narrativas frágeis e pouco diferenciadas.
Por outro lado, quando rankings são incorporados à estratégia, o escritório passa a fazer escolhas mais conscientes, desde quais diretórios priorizar até como contar suas histórias, apresentar seus diferenciais e trabalhar sua notoriedade ao longo do tempo.
Marcela descreve a narrativa como a ponte entre fatos, contexto e impacto:
“A narrativa conecta os fatos com o contexto e o impacto… por que aquele caso importa.” E o alerta mais valioso para quem escreve casos: não basta listar atividades.
Além disso, ela destaca que a narrativa muda conforme o diretório, porque metodologias e preferências editoriais variam (mais institucional, mais numérica, mais “editorial”, etc.). Ou seja: menos “Ctrl C + Ctrl V”, mais adaptação inteligente.
Uma das técnicas mais simples e mais potentes durante uma submission é perguntar a si mesmo: “Por que o seu escritório e não o do concorrente?”
Onde os escritórios mais escorregam em rankings jurídicos
Quando provocada sobre os erros mais comuns, Marcela resume em uma mudança de mentalidade: parar de tratar rankings como um incêndio que deve ser apagado.
“O maior erro… é continuar tratando rankings como emergência… e não como gestão efetiva”, afirma.
Ela também cita outros problemas recorrentes, como:
Falta de dados confiáveis (ou critérios claros para números);
Falhas de processo (quem informa vs. quem preenche);
Desalinhamento entre lideranças (prioridades e exposição individual);
“Vamos fazer tudo”: submeter todas as áreas, em todos os rankings, sem estratégia.
No episódio, Marcela pondera que existe quem defenda “enviar para tudo”, mas reforça: avaliem o que funciona na sua realidade.
IA em submissões: o que pode ser automatizado e o que continua artesanal?
Durante a entrevista, Marcela explica o que é repetitivo do que é estratégico na era da inteligência artificial. Segundo ela:
Automatizável (operacional): coleta/organização de casos, padronização, cruzamento de ciclos, tracking de versões, benchmarking comparativo, consistência de linguagem;
Artesanal (humano): curadoria do que entra/sai, narrativa final por diretório, escolha de referências, “pente fino” e controle de qualidade;
E ela ainda complementa: a IA “pública” (ex.: modelos generalistas) amplifica o que existe, mas não cria excelência. Isto é, ela ajuda muito em revisão, consistência, comparação e base narrativa, mas ainda esbarra no formato e nas exigências específicas de cada diretório (principalmente quando o trabalho é “entregar no molde certo”).
O fluxo ideal para rankings: 4 etapas fundamentais
No fechamento, Marcela propõe um fluxo ideal, útil como checklist de maturidade:
Governança e dados (contínuo): banco de dados atualizado periodicamente, histórico de performance, resumos das descrições padronizados;
Estratégia: categorias-alvo, narrativa por prática, planejamento anual de referências;
Operação acelerada por IA: primeiras versões, revisão consistente, comparação de submissions, padronização de linguagens e estrutura;
Curadoria humana + submissão: seleção final, QA, envio e acompanhamento pós-submissão;
Essa estrutura também explica por que rankings “dão errado” quando viram projeto de 30 dias, pois eles pedem rotina, dados e disciplina ao longo do ano.
FAQ
Rankings jurídicos valem a pena? Sim, quando são tratados como parte de posicionamento e reputação. O ranking tende a validar a notoriedade construída, não substituir estratégia.
O que é mais importante em uma submission: dados ou narrativa? Os dois. Dados fortalecem credibilidade; narrativa conecta impacto e diferenciação.
A IA consegue fazer a submission completa sozinha? Hoje, a IA ajuda muito no operacional (padronização, revisão, consistência), mas ainda depende de curadoria humana e adaptação ao formato/metodologia de cada diretório.
Ouça o episódio completo
Quer se aprofundar em como a inteligência artificial, a governança de dados e a estratégia estão transformando as submissões em rankings jurídicos?
Ouça o episódio completo do Juridcast com Marcela Lage Ferreira no YouTube ou no Spotify e acompanhe a conversa na íntegra, com exemplos práticos e reflexões estratégicas para escritórios de advocacia:

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